HISTÓRIA DA PROFISSÃO

A génese da higiene oral, como profissão, surge como actividade complementar às acções que os médicos-dentistas não podiam satisfazer, pela escassez de profissionais, mas também e sobretudo, pela evolução dos saberes necessários a cuidados da saúde que outras áreas produziam.

O esforço desenvolvido pelo Dr. Alfred Civilion Fones, preocupado com o número de pacientes que perdiam dentes devido a cáries e patologia periodontal, e convencido que a remoção da placa bacteriana, cálculo e o consumo de poucos açúcares podia reduzir ou evitar a perda dentária, leva-o a iniciar uma campanha em prol dos esforços preventivos. Inicia então uma cruzada para persuadir os seus colegas e médicos que algumas doenças orais podiam ser prevenidas. Esta visão da prevenção da doença era à data praticamente desconhecida, numa área onde prevalecia a extração dentária como tratamento de eleição.

Esta ideia “preventiva” jamais abandonou a profissão e desde o seu aparecimento, o foco tem sido aplicar os esforços na prevenção da doença, ou quando ela exista, proporcionar condições para poder travar o seu avanço.

Foi proposto o termoDental Hygienistpara enfatizar a importância da “limpeza da boca” como um regime terapêutico para a prevenção e controlo das doenças orais.

Esta visão da profissão levou ao reconhecimento dos higienistas orais como os especialistas na área da prevenção nos sistemas de saúde ocidentais.

A primeira Higienista Irene Newman, foi treinada pelo Dr. Fones, e a formação iniciou-se nos Estados Unidos, em Ohio, em 1910.

A formação de higienistas orais em Portugal inicia-se em 1984, sessenta anos mais tarde do que em outros países da Europa. A criação deste novo tipo de profissionais surge pela elevada prevalência das doenças orais, nomeadamente da cárie dentária e da doença periodontal, e pela crescente consciência de que estas doenças podiam ser prevenidas, sobretudo pela implementação de estratégias preventivas e de educação. Assim, o maior enfâse dado à profissão foi a vertente comunitária com implementação de estratégias de saúde pública oral, com o objetivo de promover a saúde oral em contexto escolar, o que ainda hoje constitui a principal função dos higienistas orais integrados no Sistema Nacional de Saúde.

No início a formação de higienistas em Portugal era uma formação do tipo profissional, com uma vertente prática muito acentuada, com o objetivo de fornecer ao futuro profissional competências técnicas muito fortes.

Contudo, a natureza multidimensional do conhecimento e a intervenção dos higienistas orais obrigaram a uma reformulação do perfil de competências que interage entre as várias áreas do conhecimento, nomeadamente, ciências básicas, ciências biomédicas, ciências do comportamento e ciências sociais. A reforma introduzida, por um lado pela integração no sistema de ensino superior e por outro pelo processo de Bolonha, levou a alterações nos planos curriculares e consequentemente, no que se espera de um futuro profissional nesta área da saúde.

A Higiene Oral é parte do sistema global de saúde, com perfis profissionais que se entrecruzam e estão em interdependência. Esta interdependência, dos profissionais, deve ser uma convergência de saberes e um trabalho multidisciplinar entre pares, com respeito pela autonomia profissional, criando um modelo integrado de prestação de cuidados de saúde oral.